No suplemento Ípsilon amanhã pode ler…

7 Agosto 2008 - 15:53 Nenhum comentário

Tema de capa

No dia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, olhamos a China das artes plásticas. E concluímos, com a reportagem de Francisca Gorjão Henriques, que a China já não se desenha a tinta da China. A arte contemporânea chinesa tem 30 anos - tantos como as reformas económicas - e não pára de abalar a sociedade. A lei proíbe a pornografia, a crítica política e a violência, mas tudo isso se encontra nas galerias. É como se o regime fosse indiferente ao que se passa ali dentro. Percebeu que a arte é um bom cartão de visita, chama as atenções de todo o mundo.

Joana Vasconcelos, artista plástica: como é que alguém tão popular pode ser tão impopular? As suas obras dirigem-se a todos, ao cidadão anónimo e ao público informado. Mas procurar interlocutores no meio português - críticos, comissários, directores de museu - que falem dela é esbarrar num muro de silêncio, ainda que nos bastidores exista indisfarçável desconfiança. Fizemos perguntas, e as respostas ultrapassam a convencional esfera artística. Como ela.

Não é em África que pensamos quando pensamos nos Franz Ferdinand, mas é de música africana que nos fala Paul Thomson, o baterista da banda escocesa que por estes dias toca no Sudoeste. Para gravar o seu terceiro álbum, os autores de “Take me out” enfiaram-se num edifício decrépito em Glasgow e experimentaram. Na cabeça tinham sons da Nigéria e do Mali, tinham “aquelas guitarras e as espirais que entontecem”.

A 12 de Junho de 2000, o Brasil assistiu em directo ao sequestro de um autocarro no Rio de Janeiro. O sequestrador lutava contra a invisibilidade social. “Ónibus 174″, do realizador de “Tropa de Elite”, inaugura hoje um programa de documentários do festival “CCB Fora de Si”. De cinematografias mais ou menos invisíveis

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Alexandre Soljenitsin no PÚBLICO

5 Agosto 2008 - 10:26 1 comentário

Ler hoje no PÚBLICO o trabalho de vários jornalistas sobre o escritor Alexandre Soljenitsin que morreu aos 89 anos. Pode ir para lá a partir daqui. (Quando lá chegar clique na zona de texto para ler e depois nas setas em cima para passar de página. E volte a seguir as mesmas instruções).

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Jorge Marmelo escreve sobre João Ubaldo Ribeiro

4 Agosto 2008 - 17:05 Nenhum comentário

Jorge Marmelo escreve hoje no P2, suplemento diário do PÚBLICO, sobre João Ubaldo Ribeiro.
Para ler aqui (quando lá chegar clique na área do texto).

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Entrevista de valter hugo mãe ( com as linhas desaparecidas)

1 Agosto 2008 - 20:12 17 comentários

Na edição em papel do Ípsilon desapareceram na paginação, na passagem de uma página para a outra, algumas linhas numa das respostas do valter hugo mãe. Aqui fica a versão completa e sem cortes involuntários.

O escritor que não usa maiúsculas para o leitor ficar sem travões

Isabel Coutinho

Quando lhe perguntam se vive da escrita, responde que está a “morrer da escrita”. Licenciado em Direito e pós-graduado em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea, valter hugo mãe, 36 anos, trabalhou no Centro de Estudos Regianos em Vila do Conde, foi sócio-gerente das Quasi Edições em Vila Nova de Famalicão durante anos. Criou Objecto Cardíaco, editora que faliu porque se “atrapalhou com a contabilidade.”
Foi poeta antes de ter descoberto a prosa quando, em três dias, “o nosso reino”, primeiro romance que publicou em 2004, lhe começou a aparecer no computador.
Por “o remorso de baltazar serapião”, segundo romance, recebeu o Prémio Literário José Saramago - Fundação Círculo de Leitores, o ano passado. Para o Nobel português, este livro foi “uma revolução”, “um tsunami, não no sentido destrutivo, mas da força.” Regressa agora. “o apocalipse dos trabalhadores” é um retrato do nosso tempo, uma história que se passa em Bragança.
Nasceu em 1971, na cidade angolana Henrique de Carvalho, mas cedo veio para Portugal. Fez a escola primária em Paços de Ferreira, onde viveu antes de ir morar aos nove anos para Caxinas, zona piscatória de Vila de Conde.
De vez em quando é dado a assombros de rebeldia. Na capa de um dos seus livros, “pornografia erudita”, é reproduzida uma fotografia em que aparece nu. Essa capa é posterior a “uma aventura ainda mais pirotécnica”, que foi a experiência de ser fotografado nu na Avenida da Liberdade em Braga, num domingo à tarde. “Precisava de me sentir fora de uma convenção, sentir que ainda tinha força para me reinventar.”
Um dos seus amigos, Paulo Brandão, programador do Theatro Circo em Braga, fez a instalação “o teorema de valter” para uma exposição no Museu Nogueira da Silva. “Ele só pensa em coisas escatológicas, tenebrosas e substancialmente imorais. Disse-me que eu ia ser o seu objecto de arte. Pediu-me as minhas unhas, cabelos, pêlos púbicos, urina e ainda esperma. É um dos meus melhores amigos e não tive como não me sujeitar à violência.”
Está a trabalhar numa exposição de artes plásticas que fará até ao final do ano e vai publicar um livro onde reúne a sua poesia. Mas nos últimos anos a relação com a prosa tornou-se tão fundamental que está “às aranhas”: muitos dos poemas nunca mais reeditará. Por estes dias, a única poesia que faz são letras para canções (para Mundo Cão, Clã, Rui Reininho, Paulo Praça).

P. Como chegou à Maria da Graça e Quitéria? Estas personagens, duas mulheres-a-dias de Bragança, são a alma deste romance com título estranho, “o apocalipse dos trabalhadores”.

V.H.M - Não foi por acaso que decidi chamar-lhe Maria da Graça. Ela vai vivendo uma certa desgraça, muito relativa. Faz a opção pelo erro, quando o erro é para ela o caminho da felicidade. Gosto disso na personagem.
Nos meus romances preocupo-me obsessivamente com as mulheres. Compadeço-me mais facilmente com a desgraça delas. Porquê? Não sei. Talvez porque adoro a minha mãe e a seguir à minha mãe existe a minha irmã mais velha, que era a minha segunda mãe. E depois há a minha outra irmã - mais velha do que eu e do que o meu irmão -, que era a minha terceira mãe. Sou o mais novo: muito estragado por elas.
Enterneço-me mais com a perdição das mulheres do que com a dos homens. As mulheres sobrevivem muito mais, lutam muito mais, resistem muito mais. Mas se tiverem de morrer fazem-no sem tanta hesitação. Isso fascina-me, seduz-me e enternece-me.

A cumplicidade entre as duas amigas, as conversas, a maneira como encaram a vida são dos momentos mais divertidos deste livro.

Aqueles diálogos surgiram-me como se elas estivessem diante de mim e eu tomasse apenas nota. Tive alguns ataques de riso. Ficava estupefacto com a gestão das personagens que se me impunha. Sobretudo porque as piadas que elas iam dizendo surgiam-me como anedotas que me estavam a contar e que eu não conhecia.
Em termos formais, queria fazer um diálogo sem qualquer interrupção durante duas ou três páginas. Queria que, em última análise, algumas das coisas pudessem ser atribuídas a uma ou a outra indistintamente. Não interessava descobrir qual delas poderia dizer tal coisa, mas criar uma tonalidade, uma força em cada uma das personagens, que permitisse ao leitor mais atento ter poucas dúvidas sobre quem é que diz o quê. A personalidade delas é tão vincada que vamos percebendo.
Não contava que o livro fosse cómico. Estava expectante: quando entregasse o livro à minha editora, Maria do Rosário Pedreira, o que ela me diria? valter hugo mãe em versão engraçada? Mas será possível?!

São mulheres do povo, falam de maneira específica. Nos seus outros romances as personagens também parecem sair das entranhas da terra. De onde é que isso lhe surge?

Cresci muito calado. O que me entretinha eram as conversas dos outros. Fui guardando personagens dentro da cabeça, tonalidades. Aquilo que mais me impressiona tem que ver com as pessoas mais simples, que aparentemente parecem menos dotadas para a luta da vida e que vistas de perto são as mais resistentes.
Vivo na parte piscatória de Vila do Conde, nas Caxinas, o espaço mais agreste [ver reportagem nestas páginas]. Vivo lá desde os 9 anos e ali as pessoas são endurecidas. Quem não os entende acha que são más pessoas, mal-educados ou brutos. Há quem tenha medo. Vistos de perto são pessoas impressionantes porque são rochedos humanos. Perdem familiares no mar. Há gente que perde marido e filhos num ano. Ficam sozinhas e sobrevivem com um mutismo, uma dignidade impressionante. Continuam a sair à rua, a lavar-se, a pentear-se. Vestem um preto integral, não se vê outra cor no corpo, assistem às missas, compram o pão, param cinco minutos a conversar seja com quem for, existe uma profundidade na imagem dessas mulheres que me impressiona.
As conversas delas são entre o desajeitado e o importante. Procuram maneiras de explicar as coisas mais insondáveis e inexplicáveis e nessa busca dizem coisas incríveis. Assisto a isto quando vou buscar o pão ou quando me sento no café - aquela gente, sem qualquer tipo de terapia, sem ajuda de psicólogos, de psiquiatras, muitas delas analfabetas, o esforço que fazem para se fazerem entender e sobretudo para subsistir… Isto porque acima de todas as coisas existe aquela importância de se estar vivo, que eu não percebo. Se eu fosse uma mulher de 50 anos a quem quatro filhos e um marido morressem num mês de Novembro no alto mar eu tombava de uma ponte abaixo. Mas elas sobrevivem. Sabem qualquer coisa que nós não sabemos.

O sagrado e o profano, a vivência quotidiana da religião, a relação com Deus e o Diabo são temas do seu universo literário. E neste livro está muito presente a morte.

Tenho uma concepção estranha da morte; acho que é a nossa grande oportunidade. Se não for a morte que nos leva a algum lugar absolutamente incrível, não vai ser rigorosamente mais nada. A menos que se arranje um bilhete para os Açores, a vida é difícil.
Tenho esse fascínio de saber o que acontece no momento em que desligamos a máquina. Dia sim, dia não acredito na vida depois da morte. Não consigo escapar à ponderação desse momento. Deus aparece nos meus livros mas maltrato-o muito. São Pedro como oficial de Deus neste livro também é mal tratado. Ser criado num país como Portugal, numa família relativamente católica, que de vez em quando vai à missa - nasci nesse respeito um bocadinho largo, lasso, não consigo deixar isso de fora.

Embora tenha nascido em África, em Angola.

Só lá estive até aos dois anos e meio. Cresci como uma criança muito feliz em Paços de Ferreira. Não tenho memórias de África, a minha memória mais antiga é do 25 de Abril. De alguma forma foi o dia em que a minha cabeça nasceu.
No dia 25 de Abril de 1974 o meu pai tinha uma reunião no Banco de Portugal, em Lisboa, e fizemos a viagem na estradinha antiga, demorámos muitas horas. Não se ouviu rádio, não se tomou qualquer consciência do que estaria a acontecer e quando chegámos a Lisboa a memória que tenho é de estar num parque a brincar com um miúdo loirinho, de olhos azuis, e o meu pai aparecer aos gritos a dizer: “Antónia, Antónia é uma guerra, é uma guerra!” A minha mãe pegou em mim, começamos a correr para o carro, arregalei os olhos, fiquei espantado. Ouvimos uns tiros, provavelmente alguém a matar pardais [risos]. Tenho essa memória e a da expressão que aquele miúdo dizia: “Eu cá vou para o escorrega”, “eu cá vou fazer isto”. Nunca tinha ouvido tal coisa. Fiquei com isto para a vida toda. “Eu cá…” e o meu pai a gritar “é a guerra, é a guerra” porque não percebeu nada do que se estava a passar e ouviu uns tiros.

Também já afirmou que teve uma “meninice livre”, permitida numa vila pequena como era Paços de Ferreira.

Cresci em Paços de Ferreira como uma coisa selvagem. O perigo era zero, vinha todo da nossa cabeça. Perigoso era se houvesse um buraco que não se visse e nos atirássemos lá para dentro. Às vezes sabia-se que os miúdos rachavam a cabeça e partiam as pernas, mas os perigos eram estes. Eram nossos, ninguém nos faria mal. Cresci assim, muito na terra, em cima das árvores e a subir aos castelos de madeira. Já havia muitos madeireiros e muitas fábricas de móveis. A madeira fica empilhada e saltávamos de uns para os outros. Tive uma sorte danada por nunca me ter estropiado. Os meus amigos têm cicatrizes incríveis, uma lojinha de horrores.

Foi aí que frequentou a escola primária.

Não queria lá entrar porque o meu irmão me dizia que batiam muito. Faltei à primeira semana de aulas. Tinha medo. Era lingrinhas. Quando a minha mãe soube que eu fugia da escola convenceu-me ao dizer que se fosse à escola ia aprender a guardar as coisas dentro da cabeça.
Em vez de lhe perguntar o significado das palavras, aprendia a escrever, guardava tudo e a folha de papel era como uma caixinha. Era como se a minha cabeça entornasse coisas e eu depois podia entorná-las para dentro de uma caixinha. Quis ir à escola aprender aquela magia. Ali comecei a coleccionar as minhas primeiras palavras. A ter com a escrita e com o texto uma relação fantasista em que a realidade era composta por coisas que nem toda a gente vê. Cada um tem que procurar as suas invisibilidades.

Nessa escola primária aprendeu com certeza a escrever com “letra grande”. Mas, mais tarde, as maiúsculas desapareceram dos seus textos.

A dada altura percebi que as minúsculas ligam o texto, aceleram-no, precipitam o leitor. As vírgulas ficam menos virguladas e os pontos menos pontuados. Então as pausas tendem a ser mais breves. Há uma aceleração que se junta a uma certa urgência da história. O leitor fica sem travões.

Tem tido reacções de leitores? Dificulta-lhes a leitura?

Ao que sei, no início, a primeira reacção é um choque. As pessoas ficam aflitas, não sabem onde parar, não percebem onde a frase acabou. Mas o leitor menos preguiçoso habitua-se ao fim de quatro páginas e consegue deslizar. Consegue seguir naquela leitura com menos travões com alguma destreza. Fico contente quando percebem que este tipo de pontuação os leva mais rápido ao fim da história.

Como começou a arquitectar este romance?

Pelo Andriy [personagem] que vem para Portugal para voltar mais tarde para a Ucrânia rico - uma das ideias mais perversas deste livro. A primeira pulsão teve que ver com xenofobia. Estava com o meu círculo de amigos no café e achei que éramos aborrecidamente convencionais: todos brancos, com uma família portuguesa normalíssima, sem nenhuma mega-desgraça e nenhum brilho especial; não temos nenhum amigo africano, nem transexual, somos chatos de tão normais. Nessa altura entraram uns ucranianos no café e decidimos incluir no nosso grupo alguém que viesse de fora. Precisávamos de gente que nos trouxesse experiências diferentes e nos obrigasse a pensar e a ver as coisas de outra forma. Na altura pensei: precisamos destes ucranianos até ao tutano. É urgente sabermos quem são, de onde vêm e se gostam de aqui estar. Então atirei-me violentamente a eles.

Quem são eles?

Trabalham em Vila do Conde nas obras ou fazem limpezas. Muitos têm cursos superiores. Foi uma excelente conquista ter aquelas pessoas como amigas. Quando um deles finalmente me conseguiu explicar a expressão Grande Fome da Ucrânia - não conseguia formulá-la assim, dizia que era “muita fome ucraniana” -, fui pesquisar e percebi que todo o século XX da Ucrânia é atravessado por um enfraquecimento psicológico e físico das pessoas, que tem que ver com o facto de terem morrido milhões à fome e poucos anos depois na Segunda Guerra Mundial morreram ainda mais. Diziam-me que um ucraniano quando foge de alguma coisa foge da fome, mesmo que coma. Porque o medo de voltar a passar fome é uma coisa das novas gerações ainda. É impressionante.
Tentei fazer alguns paralelos e não temos nada assim. Poderíamos sentir a necessidade da liberdade porque alcançámo-la apenas em 1974. Mas as novas gerações estão a leste do 25 de Abril. Foram essas coisas que me convenceram que precisava de ter uma personagem ucraniana no livro e de combater a nossa pequena xenofobia de estarmos todos os dias sentados com as mesmas pessoas e não nos disponibilizávamos a um esforço mínimo de chegar ao espaço do outro.

Não foi por acaso que escolheu Bragança para local da acção do livro…

É o interior do interior. Bragança está estigmatizada com alguns preconceitos: as mães de Bragança, a ideia de que o Norte do país é profundamente católico e castrador. Quis desmistificar essa imagem. Ao pudor que temos a tendência de pensar que existe naquela cidade corresponde o despudor. Sem um, o outro não se tinha manifestado.
Eles têm uma abertura à diferença porque estão ao lado da Espanha. Nem que essa diferença seja só o lavrador espanhol. Mas é diferente, já fala de outra maneira, já diz outras coisas e viu outro programa de televisão à noite. É muito enganador julgar que aquela gente do interior não é de alguma forma cosmopolita. Em termos de consciência encontro uma abertura que não encontro em muitos sítios.

O seu percurso é singular: publicou vários livros de poesia, está traduzido no estrangeiro. Durante anos fugiu da prosa mas foi através dela que encontrou o seu lugar na nova geração de escritores portugueses.

Há quem não goste nada da minha poesia. A prosa veio ao meu encontro, eu não estava à procura. Era tão reaccionário que quando fiz a pós-graduação com o professor Luís Adriano Carlos eu dizia nas aulas: “Abaixo a prosa! Os prosadores são todos uns chatos. Contar histórinhas? As histórinhas estão todas na Bíblia. A mim interessa-me é o trabalho da linguagem, a força das expressões, a poesia e os poetas é que são.”
Por causa dessa pós-graduação, que deviria ter sido um mestrado, tranquei-me em casa e estive dias a vegetar em frente ao computador.
Ao fim de dois dias, um domingo, completamente moído do cérebro, prestes a entrar numa depressão e a telefonar ao professor a dizer “não vou fazer mestrado, não consigo escrever uma linha sobre isto estou sem cabeça”, vi subitamente no ecrã do computador um documento que dizia “era o homem”. Abri e tinha uma única frase: “era o homem mais triste do mundo.” [Primeira frase do seu primeiro romance: "era o homem mais triste do mundo, como numa lenda, diziam dele as pessoas da terra, impressionadas com a sua expressão e com o modo como partia as pedras na cabeça e abria bichos com os dentes tão caninos da fome."] Não sei se foi a ligação mágica ao que eu estava a sentir, a minha vida ali parada, prossegui aquela frase até às 52 páginas escritas. Fui levado pela mão por aquele texto. Acabei “o nosso reino” e fiquei tão obcecado que imediatamente comecei a escrever “o remorso de baltazar serapião”.

Como chegou depois este manuscrito à sua editora, Maria do Rosário Pedreira?

Fiquei indefeso perante aquilo. Não conseguia discernir, não sabia o que aquilo era. Tinha conhecido o editor João Rodrigues que na altura estava na Ambar e gostei tanto dele que queria que ele editasse o meu livro. Mas não tinha lata de lhe aparecer assim a pedir para me editar o livro. Escrevi então uma carta à Maria do Rosário Pedreira, minha amiga, a explicar-lhe que embora quisesse que ela lesse, o romance era para ele. Precisava de ter a certeza de que não estaria a incomodá-lo se lhe mandasse o livro.
Ela recebeu o livro numa sexta, vim a Lisboa na terça ver a Adriana Calcanhoto, ela disse que queria jantar comigo e disse-me: “Já li o teu romance e o romance é meu.” Como assim?, perguntei. “Não vou dar este romance a ninguém. Desculpa, podes adorar o João Rodrigues, o que quiseres, mas este romance é meu!”
Garantidamente foi um dos dias mais felizes da minha vida. Entrei numa dimensão da qual não quero sair. A hipótese de fantasiar ainda mais a minha vida foi-me permitida pela prosa.

E aqui, aqui, aqui, aqui, aqui pode ver todo o trabalho publicado no Ípsilon. Uma caixa sobre Antony, a reportagem da Inês Nadais nas Caxinas e ainda a crítica ao romance assinada por Maria da Conceição Caleiro aqui e aqui.

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Amanhã pode ler no Ípsilon

31 Julho 2008 - 13:13 1 comentário

Tema de Capa

O escritor valter hugo mãe está de regresso com “o apocalipse dos trabalhadores”, romance em que tanto se enternece com a perdição das mulheres. Poeta que não acreditava na prosa, recebeu em 2007 o Prémio José Saramago e quer que os leitores o leiam sem travões.

Nasceu em África mas cedo veio para Portugal, passou a infância em Paços de Ferreira e aos 9 anos foi viver para Caxinas, de onde nunca mais saiu.

Isabel Coutinho entrevistou-o, Inês Nadais foi a Caxinas perceber que os livros dele saíram do corpo delas, das mulheres das Caxinas.

Como este suplemento vai para as bancas a 1 de Agosto, há um especial Verão Ípsilon: sugestões de livros e discos para as férias.

Pedimos também a várias figuras públicas que nos contassem uma experiência marcante subitamente num Verão passado.

E Alexanda Lucas Coelho escreveu sobre os livros que nunca leu no Verão

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Lista dos candidatos ao 2008 Man Booker Prize

29 Julho 2008 - 14:58 2 comentários

Foi anunciada hoje a lista dos candidatos ao 2008 Man Booker Prize for Fiction. São 13 livros. Desta lista longa irá sair uma, mais curta, de finalistas.
Aqui vai ela:
The White Tigre, de Aravind Adiga
Girl in a Blue Dress, de Gaynor Arnold
The Secret Scripture, de Sebastian Barry
From A to X, de John Berger
The Lost Dog , de Michelle Kretser
Sea of Poppies , de Amitav Ghosh
The Clothes on Their Backs, de Linda Grant
A Case of Exploding Mangoes , de Mohammed Hanif
The Northern Clemency, de Philip Hensher
Netherland , de Joseph O’Neill
The Enchantress of Florence , de Salman Rushdie
Child 44, de Tom Rob Smith
A Fraction of the Whole, de Steve Toltz

Mais informações no site oficial deste prémio britânico.
Na fotografia está o júri do prémio que foi presidido por Michael Portillo e composto pela jornalista e crítica literária Alex Clark, pela romancista Louise Doughty, pelo livreiro e organizador de festivais literários James Heneagee e pelo escritor, actor e apresentador de televisão Hardeep Singh Kohli.

A notícia pode ser lida aqui.

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João Ubaldo Ribeiro depois de saber que é Prémio Camões

27 Julho 2008 - 15:04 1 comentário

Via Globo.com

Via Globo.com

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Se ainda não foi ver, vá a correr. Termina hoje.

27 Julho 2008 - 14:49 Nenhum comentário

Para assinalar o encerramento da exposição A Consistência dos Sonhos, sobre a vida e obra de José Saramago, hoje, pelas 19 horas, haverá um concerto de violoncelo executado por solistas da Orquestra Metropolitana de Lisboa. A entrada é gratuita.
Será realizado pelo duo de violoncelos Franz Ortner e Ana Cláudia Serrão.
Do programa fazem parte a Sonata n.º 1 para Dois Violoncelos de Georg Philipp Telemann (1681-1767), Bulerias, de Mario Escudero (1928-2004), Sonata para Dois Violoncelos de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), Sonata para Violoncelo Solo, de Gyorgy Ligeti (1923-2006).
Serão ainda interpretados o tema popular brasileiro “O Surdo”, de Totonho e Paulinho Rezende, e “Julie-o”, de Mark Summer.

programação via Blogue da Fundação Saramago

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João Ubaldo Ribeiro é Prémio Camões 2008

26 Julho 2008 - 19:15 Nenhum comentário

O escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro foi o eleito pelo júri da 20ª edição Prémio Camões, o mais importante prémio atribuído a autores de língua portuguesa.

Autor de romances como “Sargento Getúlio”, “O Sorriso do Lagarto” ou “A Casa dos Budas Ditosos” e “Viva o Povo Brasileiro” Ubaldo Ribeiro estendeu a sua produção literária aos contos infantis, ensaios, crónicas e adaptações para televisão e cinema.

O júri decidiu por maioria e foi constituído por Maria de Fátima Marinho, professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Maria Lúcia Lepecki, professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (que votou pelo telefone por motivo de doença), Marco Lucchesi, escritor e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ruy Espinheira Filho, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), João Melo, poeta e jornalista angolano, e Corsino Fortes, diplomata e presidente da Associação de Escritores Cabo-verdianos.

Para ler o texto hoje do PÚBLICO clique aqui. e depois de lá chegar clique na área do texto que ele aparece legível ao lado.

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Prefácio de Cunhal a livro de Aquilino será publicado em Setembro

25 Julho 2008 - 17:31 Nenhum comentário

O prefácio de Álvaro Cunhal, de 1963, a Quando os Lobos Uivam, encontrado nos “papéis” do ex-líder do PCP, deveria destinar-se à publicação do romance num país socialista, mas é em Portugal que será editado 25 anos depois.
A notícia da publicação deste “longo estudo sobre a obra de Aquilino Ribeiro” foi dada à agência Lusa por Francisco Melo, da Editorial Avante!.
Este prefácio será publicado em Setembro, numa reedição especial do romance de Aquilino, 50 anos depois da sua primeira publicação (em 1958). A edição especial do livro de Aquilino Ribeiro terá 20 ilustrações originais de João Abel Manta e está prevista a sua apresentação na Festa do Avante!, em Setembro.
O prefácio de Cunhal analisa a obra de Aquilino, descreve locais do país e, segundo afirmou Francisco Melo à Lusa, faz “considerações de ordem política quanto à política cultural” da ditadura de Salazar, referindo-se também à polémica que causou no país a publicação da obra. O livro de Aquilino Ribeiro (1885-1963) foi apreendido e o escritor alvo de um mandato de captura, mas o regime amnistiou-o, escreve a agência Lusa.

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Livro de contos de Richard Zimler em Setembro

25 Julho 2008 - 13:16 Nenhum comentário

A Oceanos vai lançar uma colectânea dos contos de Richard Zimler em Septembro. O título vai ser: Confundir a Cidade com o Mar. O romance The Seventh Gate , de Richard Zimler (A Sétima Porta, na Oceanos) foi nomeado para o 2009 International IMPAC Dublin Literary Award. Saber mais no site oficial do escritor norte-americano que vive no Porto.

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Rui Beja eleito presidente da Direcção da APEL

25 Julho 2008 - 12:48 Nenhum comentário

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros tem um novo presidente da Direcção: Rui Beja.
Depois das eleições a presidência da Mesa da Assembleia-Geral é assumida por Paulo Teixeira Pinto, em representação da Guimarães Editora e a presidência do Conselho Fiscal caberá a António Baptista Lopes, em representação da Âncora Editora.
Para além de Rui Beja, pertencem agora à Direcção: João Espadinha – Editorial Presença, Henrique Mota – Principia Editora, Pedro Cabrita Carneiro – Círculo de Leitores / Grupo Bertelsmann, Ana Neves – Livrarias El Corte Inglês.
Rui Beja é administrador não ecutivo e consultor da administração da Lisboa Editora SA / Grupo Porto Editora. Anteriormente exerceu funções como presidente do conselho de administração do Círculo de Leitores, entre Julho de 1992 e Dezembro de 2001. Ao longo de 30 anos esteve ligado a esta empresa editorial.

Entretanto a APEL tem um novo site.

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Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian divulga as suas colecções de fotografia no Flickr

22 Julho 2008 - 13:37 1 comentário

Este é o aspecto da página da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian no Flickr.
Nesta imagem podem ver-se fotografias do Cinema S. Jorge tiradas pelo Estúdio Mário Novais. Estas fotos fazem parte dos 16 álbuns relativos à colecção fotográfica Estúdio Mário Novais que foi adquirida em 1985 pela Fundação Calouste Gulbenkian.
Desde ontem estão disponíveis a qualquer pessoa que faça uma busca no Flickr, uma rede social destinada à partilha de fotografias na Internet.
Isto porque a Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian começou a divulgar as suas colecções fotográficas no Flickr, apesar de as ter igualmente disponíveis no seu site online. Desta maneira espera chegar a um público mais alargado e não-especializado. É a primeira tentativa que a biblioteca faz para chegar a um público que não conhece.
As imagens podem ser consultadas neste endereço
Outras bibliotecas mundiais como a Library of Congress, a Smithsonian Institution, a National Library of Australia e a Bibliothèque de Toulouse também já estão no Flickr. Mas a Biblioteca de Arte é a primeira biblioteca portuguesa a fazê-lo.

Pode ler mais aqui.

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Anúncio do Prémio Camões será no sábado

21 Julho 2008 - 17:52 Nenhum comentário

O júri da 20ª edição do Prémio Camões vai reunir-se na tarde de sábado, 26 de Julho, no Hotel Tivoli, em Lisboa. Para mais tarde, às 17h30, está marcada uma conferência de imprensa onde será divulgado o nome do Prémio Camões 2008.
No dia anterior, sexta-feira, às 18h30, nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos, será entregue o Prémio Camões − 2007 ao escritor António Lobo Antunes.

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Momento de pausa

19 Julho 2008 - 11:27 1 comentário

Via Maique, Quintalito do Xanato

Quem já partilhou uma casa com um gato ou gata perceberá a piada.

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