Os novíssimos da ENTER

Ciberescritas
Isabel.Coutinho@publico.pt
Se eu vos contar que a organizadora da novíssima antologia digital “ENTER”, Heloísa Buarque de Hollanda, já soprou 70 velas, se calhar vocês não vão acreditar. É a verdade. Mas não se importem com isso, para a coordenadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea e curadora do Portal Literal, uma compensação da idade é o privilégio de não ter que perder tempo com o que a “entedia”. Foi isto que disse ao jornal brasileiro “O Globo” no mês passado a propósito do lançamento do “site” ENTER -Antologia Digital, que reúne textos, som, fotos e vídeos de 37 autores como Nega Gizza, Marcelino Freire, João Paulo Cuenca, Andre Dahmer, Cecilia Giannetti, Lirinha e Bruna Beber.
A crítica literária Heloísa Buarque está “de saco cheio”, ou melhor, está farta de discutir o que é literatura ou não é e por isso resolveu definir esta antologia como “uma amostra das ‘práticas literárias’ contemporâneas”.
Esta não é a primeira antologia de jovens escritores a que Heloísa se dedica. Como lembra no blogue Autores e Livros o editor da Língua Geral e professor da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro Eduardo Coelho, Heloísa Buarque já organizou para a editora Aeroplano as antologias “26 Poetas hoje” e “Esses poetas”. Através delas revelou “os futuros ícones de suas gerações”, escreve Eduardo Coelho. Na primeira, dedicada à geração de 1970, surgiram nomes hoje incontestáveis como Ana Cristina Cesar, Antônio Carlos de Brito (Cacaso) e Francisco Alvim. Na segunda, dedicada à geração de 1990, encontram-se, entre outros, Carlito Azevedo, Claudia Roquette-Pinto e Eucanaã Ferraz.
Neste rol de autores encontra-se João Paulo Cuenca, que está publicado por cá pela Caminho. Está lá o seu texto “Última Madrugada” (em versão texto) e também em áudio, dito maravilhosamente por Selton Mello. E depois excertos dos seus romances já publicados.
Está lá Índigo, uma escritora que também começou a escrever na Internet, e dela está disponível o conto “Maçã Argentina” e a sua adaptação ao teatro pode ser vista num vídeo. Está lá Cecilia Giannetti, autora do romance “Lugares que não conheço, pessoas que nunca vi”, e que tem lá o texto “Salve-me” e ao lado um “link” para um vídeo com a leitura do conto. Estão lá Marcelino Freire e, entre outros, o belíssimo e provocante texto “Meu Negro de Estimação” que tem também uma versão áudio. Está lá também o trabalho de Ramon Mello, poeta, escritor e jornalista.
Mello recolheu um depoimento de Heloísa Buarque de Hollanda que irá servir para a biografia sobre esta crítica literária a publicar pela Língua Geral e que por agora pode ser lido no blogue Prosa Online. À pergunta “existe literatura de internet?” responde Heloísa com um redondo “Não!”. E depois diz: “Antes o poeta colocava o poema na gaveta e agora o texto vai ao público, sendo testado a todo instante. Esse imediatismo da produção modifica o saber, sem dúvida. Quem está conectado à web tem um processo de atenção diferente, dizem que leva à superficialidade. Acredito que passamos da metáfora para a metonímia. Há uma compreensão mais horizontal, uma articulação que aparece directamente nos textos.”
ENTER
http://www.oinstituto.org.br/enter/
Heloísa Buarque de Hollanda
http://www.heloisabuarquedehollanda.com.br/
Autores e Livros
http://autoreselivros.wordpress.com/
Prosa Online
http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/default.asp
(crónica publicada no suplemento Ípsilon de 4 de Setembro de 2009)



