Prémio de Poesia Luís Miguel Nava para A. M. Pires Cabral
PROGNÓSTICO
Sou do tempo em que não se corrigiam
dentes defeituosos.
Além disso, perdi praticamente
todos os molares.
Para piorar as coisas,
a TAC acusa um desvio para a esquerda
do septo nasal.
Ainda por cima, um desvio acentuado.
Bonita caveira hei-de dar,
não haja dúvida.
A.M. Pires Cabral, in “As têmporas da cinza”, Editora Cotovia
(ler mais poemas no site da editora Cotovia)
O Prémio de Poesia Luís Miguel Nava 2009, agora bienal e referente aos livros de poesia publicados em 2007 e 2008, foi atribuído ao livro As Têmporas da Cinza de A. M. Pires Cabral, publicado pelas Edições Cotovia, foi divulgado em comunicado.
Esta decisão correspondeu à decisão unânime de um júri constituído, como habitualmente, por quatro membros da direcção da Fundação Luís Miguel Nava, Carlos Mendes de Sousa, Fernando Pinto do Amaral, Gastão Cruz e Luís Quintais, e um elemento convidado, desta vez o poeta e crítico António Carlos Cortez.
O júri considerou que “a limpidez e a precisão da escrita de A. M. Pires Cabral, a sua penetrante e austera visão dum mundo cuja expressão encontra numa espécie de imitação da terra o modelo para uma linguagem poética de invulgar intensidade, fazem deste autor um dos casos mais representativos da nossa melhor poesia contemporânea.”
No valor de cinco mil euros, o prémio, que, nas anteriores atribuições, foi concedido aos poetas Sophia de Mello Breyner Andresen, Fernando Echevarría, António Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho, Manuel Gusmão, Fernando Guimarães, Manuel António Pina, Luís Quintais, António Ramos Rosa e Pedro Tamen.



