Em retiro (no sofá) por Millás

Como é possível ter estado tão afastada da obra do escritor espanhol Juan José Millás? Só com a publicação de “O Mundo” em Portugal pela editora Planeta o ano passado é que Millás passou a fazer parte da minha biblioteca.
Afinal a sua obra, quase toda, andava por aí, publicada pela Temas & Debates e pela Quetzal. E eu nunca me tinha interessado por ela. Talvez também vos tenha acontecido. Estão sempre a tempo de o descobrir.
O ano passado conheci o autor espanhol no encontro de escritores Correntes d’ Escritas, na Póvoa de Varzim.
Tinha acabado de chegar, fui colocar a mala no quarto e desci para a recepção do hotel. Quando as portas do elevador se abriram dei de caras com Juan José Millás. Entrei. Pensei dizer-lhe que tinha gostado muito do seu romance que acabara de ler na viagem de comboio Lisboa-Porto e contar-lhe que o ia entrevistar dali a poucos dias. Não consegui.
Millás, que é altíssimo, estava muito direito enfiado no seu impermeável e com cara de poucos amigos.
Resolvi colocar-me ao lado dele (éramos as únicas pessoas dentro do elevador) a olhar para a porta, tal como ele estava, talvez também com cara de poucos amigos.
Achei que estava tramada e que a entrevista com o escritor carrancudo iria correr mal. Pois é, desenganem-se. Juan José Millás é uma caixinha de surpresas.
Para perceberem de que estou a falar podem ler este artigo Da escrita à desescrita e a crítica ao “O Mundo” (mais tarde farei um post com a entrevista que lhe fiz o ano passado).
O Luís Ricardo Duarte escreveu no site do Jornal de Letras um post que eu gostava de ter escrito.
Podem ir lê-lo no Par ou Ímpar.



